“É no terreiro que acontece a cerimonia do Candomblé. A ‘festa do candomblé’ consiste em celebrar uma divindade, que será a ‘dona da festa’. (…) Nestas cerimonias os fieis homenageiam e chamam as divindades através dos cantos, das músicas e das danças”.
Pierre Verger
“O candomblé é para mim muito interessante por ser uma religião de exaltação à personalidade das pessoas. Onde se pode ser verdadeiramente como se é, e não o que a sociedade pretende que o cidadão seja. Para pessoas que têm algo a expressar através do inconsciente, o transe é a possibilidade do inconsciente se mostrar”.
Pierre Verger
“Na festa para Oxum – parte dos rituais para celebrar este Orixá – vemos sua incorporação, vestida de cor de ouro, com o espelho na mão, ele mesmo sendo o centro do sol. A expressão de seu rosto é maternal, cheia de doçura e felicidade. Deusa das aguas doces, ela é a expressão da própria vida, o elemento essencial, e portanto da beleza e da riqueza. Depois entram em cena as flores, brancas e amarelas para reforçar o simbolismo de preciosidade. Maternal é também a dança em círculo que reproduz o movimento do universo e gira em torno do eixo do mundo (axis mundi) marcado no centro do terreiro onde se encontra o Axé. A preciosidade da agua está igualmente presente na diversidade das filhas de Oxum, vestidas de roupas douradas utilizando acessórios em ouro, a espada e o abebé (espécie de leque). O ritmo, específico dos cantos para Oxum, acompanha as das aguas saltitantes e felizes, símbolo de vida. A dança é a da agua com seus saltos, suas volutas, suas ondas”.
Danielle Perin